Aula 04 – Pretos Velhos

As manifestações espirituais dentro dos templos umbandistas são divididas, a princípio, entre pretos velhos, caboclos e crianças que, significa a representação das três etapas da vida humana (a infância, a maturidade e a melhor idade).
A melhor idade é um feliz termo utilizado para substituir o termo velhice.
Em algumas culturas se valoriza a experiência adquirida com a vivência de quem conseguiu chegar lá, aceitando orientações, conselhos, enfim, tendo uma imensa consideração e respeito para com as palavras dos mais vividos.

Os Pretos Velhos: Os espíritos da humildade, sabedoria e paciência.
Os pretos velhos representando na umbanda a melhor idade, trazem um profundo respeito pela maneira que se conduzem perante seus consulentes, através das suas características natas.
A característica deste grupo de espíritos é o conselho, a orientação aos consulentes e devido a elevação espiritual de tais entidades, são como psicólogos, receitam auxílios, remédios e tratamentos caseiros para os males do corpo e da alma.
A linha de Preto Velho, na Umbanda, são entidades que se apresentam estereotipados como anciãos negros, conhecedores profundos da magia Divina e da manipulação de ervas, o qual aplicam frequentemente em sua atuação na Umbanda, porém no Candomblé, são considerados Eguns.
Crê-se que em referência à dor e aflição sofrida pelo povo negro (período de trevas no território brasileiro), a linha de preto velho reflete a humildade, a paciência e a perseverança característica da atuação da linha nominada de Yorima.
Apresentando-se de pés no chão, cachimbo de barro, bem rústico, quando não cigarro de palha, café, e um fio de contas de rosários (Lágrima de Nossa Senhora) e cruzes, ervas e figas, os quais utilizam magisticamente em sua atuação no astral.
Quando encarnados, levavam nomes simples como: Pai Joaquim; Pai Francisco; Pai João; Pai José; Pai Mané; Pai Roberto; Pai Cipriano, Pai Tomaz; Pai Jobim; Pai Roberto; Pai Benedito; Vó Cambinda; Vó Cecília; Vó Maria; Vó Catarina; Vó Ana; Vó Quitéria; Vó Benedita, entre outras.
Em seu campo de atuação, eles apresentam-se pelos  nomes em que eram registrados pelos seus senhores na época da escravatura, juntamente com seus codinomes de origem de nação: de Aruanda, do Congo, de Angola…
Em seus trabalhos nos terreiros, esses mesmos nomes de registro foram adotados para representar a linha de vibração de cada um, não significando que sejam os mesmos dos que em vida, mas o seu codinome de nação que demonstra a sua origem, por exemplo:
Pai Joaquim de Angola, pertence a linha de Yorimá na vibração de Oxossi, mas ele pertence a nação de Angola; Pai Joaquim do Congo, pertence a vibração de Yorimá em Oxossi … , mas ele pertence a nação do Congo.
Outro exemplo: Pai Benedito de Angola, pertence a linha de Yorimá, na vibração de Ogum, mas ele pertence a nação deAngola. Pai Bendeito de Congo, pertence a linha de Yorimá, na vibração de Ogum, mas pertence a nação de Congo e assim por diante.

Quem foram os pretos velhos antes de reencarnarem como escravos?
Pela lei universal de ação e reação, esses espíritos que outrora viveram muitas experiências em um longa trajetória em vidas terrenas e espirituais, pelas posições que ocuparam, necessitavam do reencarne sob a subjugação para que aprendessem na carne aquilo que necessitavam para sua melhoria moral e crescimento espiritual.

Reencarnaram outras vezes depois dessa experiência como escravos?
Sim, reencarnaram outras vezes, mas nem todos. Alguns, por não alcançarem seus objetivos, voltaram como escravos; outros, reencarnaram em outras situações para seu aperfeiçoamento e, outros tantos, por já terem atingido um nível de evolução espiritual, apenas lhes restavam um último reencarne como escravos negros.

Por que na Umbanda a figura do preto velho é tão significativa?
A figura do preto velho é tão significativa, porque ela faz parte da cultura e da história de nosso povo e, a Umbanda, sendo uma religião típicamente brasileira, os adotou, assim como os índios, aqui representados pelos caboclos. E as crianças, simbolizam a alegria do povo brasileiro.

Sendo assim, a Umbanda não poderá ser uma religião universal por esses motivos, sendo regionalizada no Brasil?
Seria estranho a manifestação de um preto velho num país europeu que não houve escravatura, assim como falar de índios, em nações onde eles nunca existiram. A Umbanda tem características da formação do povo brasileiro, ou seja, um povo humilde, um povo que sabe viver, que tem uma cultura rica em todos os seus aspectos e um povo que recepciona a todos, sem distinção, características mesmas da nossa querida Umbanda.
Se a Umbanda fosse cultuada em outro país que não o nosso, ela teria características regionais nas manifestações de seus guias, mas em seu fundamento principal das sete linhas de vibrações, há nisso sim, universalidade.

Assim disse o mestre:

“Aquele que entre vós for o menor, esse será o maior…”;

“O que se exaltar, será humilhado e, o que se humilhar, será exaltado”;

“Deus dá graça aos humildes…”;

“O que não se fizer como menino…”

Clique aqui e baixe a aula em arquivo: 4º Aula – Preto Velhos

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