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‘Dicionário de Umbanda’

Abo – banho de odor desagradável, em cuja composição entram várias ervas e ingredientes
Ago – licença, permissão
Alabê – tocador de atabaque
Alguidar – bacia de barro destinada à oferendas
Amaci – banho para a cabeça, feito com ervas maceradas
Amalá – comida que se dá aos orixás
Aruanda – astral superior, onde vivem os orixás
Atabaque – tambor usado para acentuar o ritmo
Babá ou Babalorixá – mãe de santo, chefe de terreiro
Baixar – incorporar, descer o guia
Burro – denominação dada aos médiuns por alguns exus
Caboclo – espírito de índio ou mestiço
Cacique – chefe de corrente espiritual composta de índios
Calunga grande – mar, oceano
Calunga pequena – cemitério
Cambone ou cambono – auxiliar ou assistente do orixá
Cambureco – homem, rapaz
Camutuê – cabeça
Canela preta – soldado de polícia
Canzuá ou cazuá casa, lar, domicílio
Carregado – cheio de maus fluídos
Cavalo – denominação dada a médiuns pelos guias
Coité – metade de casa de coco, utilizadas como copos para servir bebidas
Compadre – Exu
Congá – altar
Curando – curador, curandeiro
Curiadô – bebida que os guias tomam
Curimba – ponto cantado ou o conjunto de cantores de pontos
Defumar – limpar alguém, local ou alguma coisa, psíquica e espiritualmente
Descarregar – aliviar alguém, local ou alguma coisa de maus fluídos
Despacho – ato de despachar as ofertas aos exus ou coisas de que se queira livrar
Ebó – presente, oferenda
Êgum – espírito de morto
Encosto – obsessão de espíritos perturbadores
Erês – espíritos que conservam o psiquismo de criança
Exus – espírito neutro; orixá de esquerda, identificado erroneamente por muitos, como sendo o diabo; qualquer espírito que faz o mal
Filho de fé – adepto da Umbanda
Filho de santo – médium
Fundanga – pólvora
Ganga – uma das espécies de quiumba, às vezes chamado de exu
Gira ou engira – sessão de Umbanda; trabalhos espirituais
Guia – protetor de médium; colar de contas, pedra ou metal
Iabá – cozinheira especializada em preparar comida de santo
Ialorixá – mãe de santo; mulher dirigente de terreiro; o mesmo que babá
Ibeji – criança da linha de Yori; Cosme e Damião; o mesmo que erê
Jacutá – altar, terreiro
Jurema – local na mata astral, onde vivem os caboclos
Macaia – erva, mata, floresta, bosque
Mãe pequena – auxiliar imediata da mãe de santo
Mãe de santo – mulher dirigente de terreiro
Maleme – perdão, desculpa
Marafo – aguardente, cachaça
Médium – intermediário entre os guias, protetores e os homens
Mironga – segredo, mistério
Moça – Pomba-gira
Muleca ou mureca – moça, menina, garota
Oferenda – presente para os orixás, guias, exus, etc.
Ogã – auxiliar que puxa os pontos ou bate atabaque
Oló – ir embora, subir (a entidade)
Orixá – santo, divindade superiora, guia, protetor
Pataco – dinheiro, moeda
Patuá – talismã usado para dar sorte
Pegí – altar, o mesmo que conga
Pemba – giz especial com que se riscam pontos
Piau – frango, galinha ou ave na linguagem dos exus
Ponteiro – punhal
Ponto cantado – cântico entoado às entidades
Ponto riscado – desenho feito no chão ou noutro lugar, que simboliza a entidade ou linha; o mesmo que assinatura do espírito
Purucadô – cabeça, testa
Quimbanda – conjunto das linhas a que pertencem os quiumbas ou exus malévolos
Quiumbanda – conjunto das linhas a que pertencem os quiumbas
Rabo de encruza – quiumba, espírito mau, trevoso, maléfico
Rabo de saia – mulher
Sarava – cumprimento comum e geral na Umbanda, o mesmo que ‘salve’
Sucê ou suncê – você, tu
Tabaqueiro – auxiliar que bate atabaque, o mesmo que ogâ
Tenda – templo, igreja ou local onde se realizam rituais afro-brasileiros
Terreiro – tenda, templo, local onde se realizam as sessões
Toco – vela, charuto, cigarro, banco
Tuia – pólvora.

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Demônios

Nem os demônios nem os anjos são seres à parte da Criação
A Criação dos seres inteligentes é una. Ligados a corpos materiais, estes seres constituem a humanidade que povoa a Terra e os outros planetas habitados; sem esses corpos, constitui o mundo espiritual, que povoam os espaços.

Deus não deu ao espírito a perfeição    
Deus criou-os perfectíveis e deu-lhes por objetivo a perfeição, com a felicidade que dela decorre. Deus não lhes deu, contudo, a perfeição, pois quis que a obtivessem por seu próprio esforço, a fim de que também e realmente lhes pertencesse o mérito.

Desde o momento da sua criação que os seres progridem, quer encarnados, quer no estado espiritual.
Disso resulta que há Espíritos em todos os graus de adiantamento moral e intelectual, conforme a posição em que se achem, no alto, embaixo ou no meio da imensa escala do progresso.

Nós não lhes damos tal nome
Pois entendemos que o mesmo se prende à ideia de uma criação distinta do gênero humano, com seres de natureza essencialmente perversas, votados ao mal eternamente e incapazes de qualquer progresso para o bem.
Segundo a crença popular, os demônios foram criados bons e tornaram-se maus por sua desobediência: são anjos colocados primitivamente por Deus no ápice da escala, tendo dela decaído.
Segundo nosso entendimento, os demônios são Espíritos imperfeitos, suscetíveis de regeneração e que, colocados na base da escala, hão de nela graduar-se.
Os que por indiferença, negligência, obstinação ou má vontade persistem em ficar por mais tempo nas classes inferiores, sofrem as consequências dessa atitude, e o hábito do mal lhe dificulta a regeneração.
Chega-lhes, porém, um dia a fadiga dessa vida penosa e das suas respectivas consequências; eles comparam então, a sua situação, à dos bons Espíritos e compreendem que o seu interesse está no bem, procurando-o então, melhorarem-se      por ato de espontânea vontade, sem que haja nisso o mínimo constrangimento. Eles estão, submetidos à lei geral do progresso, em virtude da sua aptidão para progredir, não progridem, ainda assim, contra a sua vontade.
Para isso, Deus fornece-lhes constantemente os meios, porém, com a faculdade de aceitá-los ou recusá-los. Se o progresso fosse obrigatório, não haveria mérito e Deus quer que todos tenham o mérito de nossas obras. Ninguém é colocado em primeiro lugar por privilégio, mas o primeiro lugar a todos é franqueado à custa do esforço próprio.
Os anjos mais elevados conquistaram a sua graduação, passando como os demais, pela rota comum.
Chegados a certo grau de pureza, os Espíritos têm missões adequadas ao seu progresso; preenchem assim, todas as funções atribuídas aos anjos de diferentes categorias.

Exu e demônio
Exu, dentro desta escala, é confundido com os quiumbas e demônios, mas na verdade são espíritos que conquistaram a sua graduação dentro de seu campo de atuação e este nível de graduação, será sempre um mistério.
Exu, no seu ultimo grau de pureza, pode ser considerado um anjo, mas não que decaiu por se revoltar contra Deus, mas sim, um espírito que por seus méritos, se tornou anjo e por opção, escolheu permanecer nos níveis inferiores para auxiliar na ordem para que outros progridam.